segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Boxe 3º Ano


                       Boxe no Brasil

     Em nosso país, o boxe só surgiu no início do século XX, por intermédio de alguns marinheiros europeus que fizeram exibições quando por aqui passaram. Desde então, o boxe passou a ser praticado, mas de modo tímido, pois o preconceito que havia com relação aos “capoeiras” foi transferido para os boxeadores.

     Para muitos estudiosos, a divulgação do boxe iniciou-se efetivamente no Brasil apenas em 1919, com Goes Neto, marinheiro carioca que havia feito várias viagens à Europa, onde aprendeu a boxear. Naquele ano, Goes Neto fez várias exibições no Rio de Janeiro. E, na época, um sobrinho do então presidente da República, Rodrigues Alves, apaixonou-se pela “nobre arte” – título que passa a acompanhar o boxe. O apoio de Rodrigues Alves facilitou a difusão do boxe e, em razão disso, começaram a surgir academias. Entre 1920 e 1921 esse esporte ganhou a condição da legalidade, de esporte regulamentado, com a criação das comissões municipais de boxe em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro.

 
                                     Gancho de esquerda de Éder Jofre põe adversário a nocaute.


   
     No Brasil, o boxe teve um percurso diferente, se comparado aos outros países, pois a prática já se inicia sob a égide do profissionalismo. Possivelmente porque, no início do século XX, o país contava com muitos jovens desempregados, que viram no boxe uma oportunidade de ascensão social e econômica.

     A história do boxe no Brasil ostenta excelentes treinadores e lutadores. Na década de 1930 o país participou de competições internacionais, e os lutadores amadores também faziam parte desse cenário. Zumbanão foi um dos primeiros astros do boxe brasileiro; lutou entre 1930 e 1950, era peso médio, e tinha uma excelente técnica de esquiva.

     Em 1950, o boxe brasileiro viveu sua fase áurea, com grandes espetáculos nacionais e internacionais. O lutador Éder Jofre (peso galo) foi a maior estrela desse período, com seu nome gravado na história do boxe nacional e mundial – considerado um dos dez melhores boxeadores do século XX. Seu estilo de luta caracterizava-se pelos fortes ganchos de esquerda e grande inteligência tática.

     Em 1968, Servílio de Oliveira (peso mosca) conquistou uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do México. Apresentava um estilo caracterizado por esquivas e golpes precisos.
                                           Servílio de Oliveira, medalhista pan-americano – Canadá, 1967.
 
 
                                                           Servílio de Oliveira, medalhista olímpico – México, 1968.
 

     No final da década de 1970 os lutadores Éder Jofre e Servílio de Oliveira anunciaram sua aposentadoria, e o boxe brasileiro enfrentou  o declínio nos cenários nacional e internacional, para o qual também contribuiu o aumento das transmissões ao vivo de partidas de futebol pela televisão.

     Na década de 1980 e início da seguinte, um canal de televisão brasileiro passou a transmitir lutas de boxe. Surge, na ocasião, o nome de Adilson Maguila Rodrigues (peso pesado), com enorme carisma popular, excelente mobilidade e uma direita demolidora, mas pouca técnica defensiva. Em 1995 consagrou-se campeão mundial pela Federação Mundial de Boxe.

     No entanto, a popularidade do boxe não se manteve. Quando essa emissora televisiva se retirou de cena, iniciou-se outra fase de declínio no boxe brasileiro, do ponto de vista de divulgação da modalidade para o grande público. No início do século XXI, o boxeador Acelino de Freitas, o Popó, que em 2002 chegou ao título de campeão mundial pela Organização Mundial de Boxe, obteve novo destaque para o boxe no Brasil.

    Hoje o boxe continua sendo praticado no Brasil, tanto no nível amador quanto no profissional, apesar da realização de poucos campeonatos, da escassez de patrocínios e d edivulgação por parte das mídias, em especial da televisão.

 
As tabelas a seguir apresentam as principais regras do boxe na atualidade, nas categorias profissional e amador, e as divisões das categorias por peso e sexo.

 

Boxe profissional
Boxe Amador
Masculino: quatro a dez assaltos (rounds) de três minutos cada e doze assaltos (para pontuação internacional).
Feminino: quatro a oitos assaltos (rounds) de dois minutos cada.
Masculino: três assaltos (rounds) com dois minutos para estreantes, e demais quatro assaltos com duração de três minutos.
Feminino: três assaltos (rounds) de dois minutos.
Vencedor: pontos, nocaute, abandono ou desclassificação.
Empate: decisão dos árbitros.
Vencedor: pontos, nocaute, abandono ou desclassificação.
Empate: decisão dos árbitros.
17 categorias (masculino) e doze (feminino), de acordo com os pesos dos lutadores.
12 categorias, de acordo com os pesos dos lutadores.
Sem utilização de equipamentos de segurança.
Utilização de equipamento de segurança.
Não são permitidos golpes abaixo da linha da cintura.
Não são permitidos golpes abaixo da linha da cintura.
Golpes permitidos: na parte frontal do adversário – rosto ou abdômen.
Golpes permitidos: na parte frontal do adversário – rosto ou abdômen.

 

 



Categorias
Amador
(masculino e feminino)
Profissional
masculino
Profissional
feminino
Mosca ligeiro: até 43 kg.
Palha: até 47,730 kg
Mosca ligeiro: até 45 kg
Mosca: 51 kg.
Mosca júnior: 48,99 kg.
Mosca: 48 kg.
Galo: 54 kg.
Mosca: 50,80 kg.
Galo: 51 kg.
Pena: 57 kg.
Supermosca: 52,16 kg.
Pena 54 kg.
Leve: 60 kg.
Galo: 53,42 kg.
Leve 53 kg.
Superleve: 63,5 kg.
Supergalo: 55,34 kg.
Meio-médio-ligeiro: 60 kg.
Meio-médio: 67 kg.
Pena: 57,15 kg.
Meio-médio: 63,5 kg.
Médio-ligeiro: 71 kg.
Superpena: 58,97 kg.
Médio-ligeiro: 67 kg.
Médio: 75 kg.
Leve: 61,23 kg.
Médio: 71 kg.
Meio-pesado: 81 kg.
Superleve: 63:50 kg.
Meio-pesado: 75 kg.
Pesado: 91 kg.
Meio-médio: 66,68 kg.
Pesado: 81 kg.
Superpesado: acima de
91 kg.
Médio-ligeiro: 69,85 kg.
Super-pesado: acima de
81 kg.
 
Médio: 72,57 kg.
 
 
Supermédio: 76,36 kg.
 
 
Meio-pesado; 79,38 kg.
 
 
Cruzador: 86,18 kg.
 
 
Pesado: acima de 86,18 kg.
 

 

Os golpes do boxe
Jab: não é tão potente, mas é muito eficaz; mantém o adversário distante e normalmente é utilizado como preparatório para outro golpe.
Direto: golpe frontal e rápido é executado com o braço horizontalmente e atinge o adversário com bastante força.
Cruzado: tão potente quanto o direto, porém o alvo é a lateral da cabeça do adversário.
Upper: desferido de baixo para cima, visando atingir o queixo do oponente.
Hook ou Gancho: golpe desferido na linha da cintura do oponente.
Wing: golpe desferido de cima para baixo. È aplicado no maxilar do adversário.

 


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